Aeroporto pode vir para mogi

O ministro Nelson Jobim, da Defesa, determinou a inclusão de Mogi das Cruzes entre as áreas a serem avaliadas pela Infraero para sediar o terceiro aeroporto metropolitano de São Paulo. A decisão foi tomada, ontem, após avaliar vários documentos, mapas e informações, que lhe foram passados, durante audiência, por integrantes da Comissão formada pelo prefeito Junji Abe para colocar a Cidade na disputa pelo novo aeroporto.
Nelson Jobim surpreendeu positivamente os mogianos ao se mostrar entusiasmado com as informações que lhe foram passadas pelo grupo integrado pelos deputados Luiz Carlos Gondim Teixeira (estadual) e Arnaldo Faria de Sá (federal), pelo secretário municipal João Francisco Chavedar, de Planejamento, o vereador Carlos Evaristo e pelo presidente da Comissão, advogado Sylvio da Silva Pires.
As condições extremamente favoráveis de logística e a posição geográfica do Bairro do Taboão dentro da Região Metropolitana de São Paulo foram os pontos que mais chamaram a atenção do ministro, que admitiu não imaginar a existência de uma área disponível tão extensa e sem grandes aglomerações urbanas à sua volta, como ocorreu em outras localidades já analisadas por técnicos do governo.
"Ele demonstrou muita simpatia e entusiasmo", disse o secretário Chavedar, que, a exemplo dos demais integrantes da comitiva mogiana, se mostrou impressionado com a receptividade de Nelson Jobim.
Tão logo avaliou os levantamentos aerofotogramétricos que retratavam o espaço disponível do Taboão para o futuro aeroporto, o ministro fez comentários positivos e, convocando seu assessor direto, um militar ligado à Aeronáutica determinou que, imediatamente, todas as informações levadas pelo grupo que representava Mogi das Cruzes fossem encaminhadas para a Infraero.
À Infraero caberá incluir Mogi das Cruzes nas regiões a serem estudadas para abrigar o terceiro aeroporto metropolitano. Técnicos do órgão deverão comparecer à Cidade para vistoriar a área e verificar de perto tudo o que foi mostrado, no papel, ao ministro Jobim, durante a tarde de ontem.
Um dos pontos que mais chamaram a atenção da comitiva mogiana foi o fato de o ministro garantir que a construção do novo aeroporto continua nos planos do Governo Federal. "Trata-se de uma determinação do presidente Lula", disse o ministro, lembrando que as obras que vêm sendo realizadas no Aeroporto de Congonhas não deverão inviabilizar o projeto maior, que é a construção de um novo campo de pouso e decolagem para aeronaves de médio e grande portes, dentro da Região Metropolitana de São Paulo.
"Mogi é uma forte candidata, tenham certeza disso", teria dito o ministro aos integrantes da comitiva, que deixaram Brasília eufóricos com o resultado da reunião que surpreendeu, positivamente, a todos eles.
"A sensação é do dever cumprido, colocando Mogi na rota dos grandes investimentos nacionais. Vamos continuar acompanhando de perto esta questão e torcendo para que recebamos esse aeroporto que irá mudar o perfil do Município", concluiu o deputado Gondim, segundo vice-presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.
"Ele (Ministro da Defesa, Nelson Jobim) ficou impressionado com a existência do ramal ferroviário do Parateí, que permitiria uma quase imediata ligação entre o eventual aeroporto do Taboão e a Capital". A frase é do presidente da Comissão formada pelo prefeito Junji Abe (PSDB) para incluir Mogi das Cruzes na disputa por um aeroporto, Sylvio da Silva Pires. No início da noite da última quarta-feira, ele foi recebido pelo chefe da Pasta em Brasília, de onde a comitiva mogiana retornou na manhã de ontem, muito entusiasmada.
"O leito ferroviário, que é utilizado pela empresa MRS (Logística) para transporte de cargas, poderá ser a vantagem decisiva para a instalação do aeroporto no Município", comentou Pires ontem à tarde, em entrevista coletiva dada por ele e outros integrantes da Comissão, no Gabinete do prefeito Junji Abe (PSDB).
Pires contou que Nelson Jobim dispensou outras pessoas que o esperavam no Gabinete para despachar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o chefe da Pasta federal fez questão de receber os mogianos pessoalmente e ficou mais de 40 minutos com o grupo, em reunião que abordou as vantagens do Taboão como sede do futuro empreendimento. "Saímos de lá com a certeza de que Mogi está no páreo. Houve quem dissesse que a visita seria perda de tempo. Mais de 40 minutos com um ministro como ele é muito tempo. Outras pessoas, que também o aguardavam, acabaram sendo atendidas pela Assessoria".
O secretário municipal de Planejamento e Urbanismo, João Francisco Chavedar, foi quem fez a apresentação técnica a Jobim. Ele contou ao ministro que há duas áreas disponíveis no Taboão, uma com 18 milhões de metros quadrados e outra com 10 milhões de metros quadrados. "Para se ter uma idéia, o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, tem 13 milhões de metros quadrados. Jobim mostrou-se muito animado com a explicação de Chavedar. Também gostou da proximidade (do Taboão) com importantes rodovias como a Carvalho Pinto, Ayrton Senna, Dutra e Tamoios", ponderou o presidente da Comissão. Chavedar sentiu-se mal e deixou o Gabinete logo após o início da conversa.
Pires lembrou que o ministro perguntou sobre as condições topográficas e demográficas da área. "Ele ficou entusiasmado quando dissemos que não há grandes concentrações de habitantes no espaço. Sabemos que será praticamente impossível encontrar uma área com estas dimensões totalmente plana. Além disso, a fé remove montanhas", brincou.
O vereador Carlos Evaristo da Silva (DEM) ficou contente com a resposta dada pelo ministro a uma pergunta feita por ele. "Questionei Jobim se o Governo Federal estaria mesmo disposto a construir um terceiro aeroporto de grande porte em São Paulo e a resposta foi positiva", contou.
Pires chegou a insinuar que os trabalhos da Comissão teriam terminado. "Com a entrega dos documentos que colocaram Mogi na disputa, o trabalho se completou. Temos de aguardar o trabalho político". O prefeito, entretanto, fez questão de discordar. "Vejo de outra forma. A comissão cumpriu uma grande e importante tarefa. Mas ela terá de continuar agindo", disse.
Caberá à Empresa de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) a avaliação final sobre a viabilidade do novo terminal aéreo ser construído no Taboão.

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